Além
do mais, trata-se de um capitalismo associado ao capital mundial. Mais
de 60% das indústrias grandes e médias ou pertencem ou são
controladas pelas transnacionais. A burguesia nacional é associada
à burguesia internacional, perseguindo a mesma forma de acumulação.Por
fim, trata-se de um capitalismo excludente. O desenvolvimento intencionado
e realizado não se orienta a atender às reais necessidades da
população, mas aos caprichos dos grupos que detêm o capital
e o acumulam de forma privada. O portador do desenvolvimento em moldes capitalistas
e o destinatário não são o povo. É operado às
custas e, quase sempre, contra os trabalhadores. Por isso é excludente.
Nada melhor para comprovar a iniqüidade deste sistema do que considerar
a pirâmide da estratificação social brasileira (acima).
O
sistema econômico e social favorece diretamente 20% da população.
80%, o povão,
forma a classe dominada, combustível para o projeto capitalista
caboclo. O povo ocupa o lugar subalterno e marginal. Ele é relegado,
em termos sociais, a sub-gente e a não-gente, na expressão
de Darcy Ribeiro.
(Leonardo Boff, em "A fé na periferia do mundo" - Ed. Vozes)